
A Lua em Áries segue incendiando o céu. Tá animado o clima, não tá? Teve boas e loucas idéias, ontem? Eu tive e não as tive sozinha, meno male. A Lua em Áries tem café no bule, bala na agulha e ontem aquilo que tava ali germinando, pulou pra fora. Nu e cru. Ousada e alegremente. Quem não arrisca não petisca, não é mesmo? E a Lua em Áries arrisca meeeesmo e diz: Quem não sente frio na barriga, tá é morto. Sem meias palavras.
Ah, e hoje o Sol, depois de livrar-se dos preconceitos todos, de tudo aquilo que aprisiona a mente do vivente, depois de abrir-se ao mundo em Aquário, ingressa o reino de Netuno, o reino do absurdo: Peixes. E o caos, o sonho, a boa loucura vêm para nos banhar com o mistério, com a magia de estar vivo nesse mundão dos deuses. Peixes é entrega. E quando a gente entrega, a gente se revova, reinicia o programa.
Peixes me lembra os personagens rosianos: bêbados, loucos e crianças que desafiam a lógica e 'sabem', simplesmente sabem. Sensibilidade e sabedoria que não se põem em palavras, mas que se expressam em compreensão, em devoção. Peixes louco de pedra. Peixes nevoeiro. Peixes simbolista, surrealista. Peixes sedutor e afrodisíaco. Peixes ensaboado e perdido. Peixes que se perde para se achar. Peixes são os olhos de ressaca da Capitu que arrastam o Bentinho para o mar.
Sol, Vênus e Júpiter em Peixes, dá nisso, ó:
Peixes criativo. Peixes melodia. Peixes romântico, lunático e Pierrot. Peixes sagrado. Peixes profano. Peixes sonhador... e o que mais? Não, não diga, não. Não é preciso dizer tudo. Não é preciso dizer mais nada. E é muito bom sentir tudo.

