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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Perseu, Medusa e Andrômeda no Musée des Beax-Arts, Lyon

Eu enlouqueci neste museu. Muita coisa linda para se ver. Estas esculturas são do primeiro andar.

Persée et la Gorgone. Laurent Marqueste

Adoro esse mito, esse herói. Já escrevi sobre ele aqui e reciclo o post.

Para quem não conhece o Mito segue abaixo uma versão dele que eu traduzi de um site italiano

Mítico herói grego, já conhecido em Homero e Esíodo, filho de Zeus e de Dânae, assim que nasceu, segundo a lenda, Perseu foi jogado ao mar dentro de uma caixa, junto com a mãe, pelo avô Acrísio, rei de Argo, a quem um oráculo havia previsto que seria morto pelas mãos do próprio neto. A caixa, levada pelos ventos, aportou na ilha de Sérifo, onde Dânae foi feita escrava e Perseu foi levado pelo tirano Polidette. Quando adulto Perseu, Polidette, para oferecer um digno presente nupcial a Ippodamia, com que desejava casar-se , organizou um banquete ritualístico no qual só se podia participar montado em um cavalo. Perseu, que não possuía um cavalo, prometeu a Polidette que teria em mãos a cabeça decepada da Medusa, uma das três Górgonas, cujo corpo era comumente representado como um corpo de cavalo. A contenda era dificil, mas em auxílio de Perseu vieram Hermes e Atenas que convenceram as Náiades a doar ao herói um par de sandálias aladas, um elmo que lhe deixava invisível e uma bolsa de pele mágica (kibisis) para colocar a testa da Górgona. Assim equipado, Perseu alçou vôo e chegou ao jardim das Hespérides e auxiliado pela deusa Gaia penetrou na gruta onde as Górgonas dormiam. Para matar a Medusa, única das três Górgonas que era mortal, era preciso evitar olhar para o seu rosto, que tinha o poder de petrificar quem o olhava. Perseu então, segundo uma versão do Mito, decapitou a Medusa olhando atrás do seu rosto; segundo outra versão, desferiu o golpe olhando a Górgona refletida em um escudo reluzente que Atenas havia lhe dado. Do pescoço cortado da Górgona saíram então o Herói Crisaor e o cavalo alado Pégaso, que se encontravam no seu colo. Perseu depôs na bolsa mágica a cabeça da Górgona, montou seu cavalo Pégaso e voando com ele conseguiu evitar que as outras duas Górgonas, neste meio tempo já acordadas, lhe seguissem. Na sua fuga aérea Perseu atingiu o país dos Etíopes onde encontrou Andrômeda, amarrada a uma rocha e exposta a um monstro marinho para aplacar a cólera de Posêidon. Perseu então se aproximou do monstro e o matou petrificando-o com a cabeça da Górgona e assim libertou Andrômeda, levando-a consigo a Sérifo, onde ainda acontecia o banquete organizado por Polidette. Mostrando a cabeça da Medusa, Perseu petrificou também Polidette, liberou a mãe da escravidão e com Dânae e Andrômeda tornou a Argo. A lenda ainda conta que depois Perseu, ainda na tentativa de reconciliar-se com o avô, o mata involuntariamente, golpeando-o com um disco lançado no curso de uma competição e assim se cumpriu a profecia do Oráculo.


Esse mito sempre me mobilizou muito. Existem muitas interpretações para ele. A que eu mais gosto é aquela feita pelo Ítalo Calvino nas suas Seis Lições americanas para o próximo Milênio. Na primeira das suas seis lições, a leveza, Calvino nos diz que a literatura é uma arte de representação das realidades humanas. Diz que essa representação se daria através de uma luz indireta, assim como a luz de um espelho, e que através dessa luz poderíamos entrar em contato com a dureza da realidade, sem, contudo, sermos petrificados por ela e sem, ao mesmo tempo, deixar de lidar com essa mesma realidade. Usando o mito de Perseu, que consegue matar a Medusa ao ver a imagem do monstro refletida no seu escudo reluzente, ele nos mostra, através da narrativa mítica, que o herói não se recusa a lidar com a realidade que o espera, mas o faz recusando olhar diretamente a Medusa. Aquele que olhar diretamente o rosto da medusa terá sua linguagem e imagem petrificadas pela dureza da realidade.

Ao invés disso, é na recusa da visão direta como o faz Perseu, que reside a força do escritor e a força do herói. O escritor representa a realidade com um discurso de leveza sem deixar de conter aí toda dureza e todo o peso das realidades humanas. E o herói guiado pelos seu deuses internos supera a realidade que o oprime recusando a paralisia. O cavalo Pégaso na história também nos remete ao movimento, que é o contrário de estar parado, petrificado. A narrativa é uma jornada heróica de superação, pois Perseu usa dessa mesma realidade que petrifica, ou seja a cabeça da Medusa, para libertar a si mesmo, Andrômeda e também sua mãe.


Perseu liberta Andrômeda. Joseph Chinard.

E eu tb quis tirar foto com ele.

Medusa, luz e sombra. Alexey von Jawlensky

Esta última foto eu tirei na mostra itinerante do Museu: Picasso, Matisse, Dubuffet, Bacon... Não podia. Não sabia que não podia. Mas consegui a Medusa.

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