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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Racconto do dia 17: o passado é sal, se dissolve para dar sabor ao futuro

Raymon Brascassat. Chèvres. Musée des Beaux-Arts, Lyon.

Foi dormir cedo. Teve um sono pesado e profundo, nem sonhou. E acordou quieta. Conversou somente com seus silêncios. Ainda que se sentisse novinha em folha, sentia-se avessa ao desperdício. Qualquer despedício. E decidiu ficar desse modo, a escalar as montanhas de si mesma. Como cabra solitária que do alto contempla o mundo branco e cinza. Sem insônia, mas sentindo a eternidade dos tempos nos ossos gelados de frio. E planejando dias melhores, sempre.

Passou o dia assim, sem nenhuma pressa, nenhuma urgência. A Lua seguia, obstinada, no signo de Capricórnio. Com calma e seriamente, fez tudo que seu chefe pediu. E, enquanto trabalhava, lembrou-se de viagens que fez, museus que visitou. Depois, seguiu com seu trabalho. Trabalhar era uma genuína satisfação, era a máxima realização. Agradeceu por isso.

Depois dele, foi estudar história e costumes dos povos. E tomava chá para se esquentar. No final do dia, ligou para o seu pai. Falaram de política, dos velhos tempos, sem muita animação. O passado é sal - disse ele - se dissolve para dar sabor ao futuro*. Ela desligou. E foi para cama embalar-se na própria melancolia.

*Frase de Claudio Baglioni

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