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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ítaca


Amanhã e sexta terei duas aulas sobre a Odisséia. Devo dizer que já perdi as contas de quantas aulas já tive sobre essa célebre obra e quantas vezes já a li e re-li, mas devo dizer também que absolutamente não me canso. Sempre que leio, me surpreendo. Por isso é um clássico, uma grande história que não se esgota e inspirou, inspira e inspirará outros tantos escritores.

No trimestre passado, por exemplo, estudamos um autor italiano, Giovanni Pascoli, que retomando uma passagem da Odisséia e tomando-a como ponto de partida, - a profecia de Tirésias, o cego, no canto XI, quando Ulisse desceu ao Hades - escreveu "L'ultimo viaggio". Nessa obra o Ulisse não é descrito como magnâmico e astuto como o é na concepção grega. Ao contrário, depois de retornar à Ítaca vê toda a sua vida e as experiências e aventuras passadas se dissolverem em um sonho/sono. Bom, mas essa é uma outra história...

Voltando à Odisséia de Homero, uma das coisas que eu mais gosto é que Ulisses não busca o caminho mais fácil e curto para retornar para os braços da sua Penélope. Ao contrário, ele busca aventura por diversas vezes. Mais por mera curiosidade do que pelas recompensas que obteria. E é graças a esse desejo e inquietude que Ulisses pode nos contar as suas peripécias, no seu racconto para o Rei Alcino.

É uma metáfora da nossa própria viagem nessa vida. É como se o livro nos dissesse: Ei, você não pode esquivar-se da sua curiosidade, dos perigos e das aventuras, pois ao fazer isso você estará abdicando da própria vida, do sentido de ter iniciado essa viagem. Pelo menos pra mim, assim soa. E por isso adoro o Ulisses, sua astúcia, inteligência e curiosidade. Pensar que se não fosse por ele, os gregos não teriam vencido a Guerra de Tróia!

No entanto, geralmente o que pensamos já foi pensado por alguém antes e, a prova disso, é que quando me aventurei para fora do ninho familiar, pela primeira vez, recebi de uma amiga, ( a quem agradeço imensamente: obrigada Carol!), este texto abaixo inspirado na Odisséia:

ÍTACA

Quando partires em direção a Ítaca,
que a tua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não temas Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon
não irás encontrá-los no caminho, se o pensamento estiver elevado,
se a emoção jamais abandonar o teu corpo e o teu espírito.
Laestrigones e Ciclopes e o furioso Poseidon
não estarão no teu caminho
se não os levares na tua alma,
se a tua alma não os colocar diante dos teus passos.

Espero que a tua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
recolhe o que há de melhor.
Vai às cidades do Egipto,
aprende com o povo que tem tanto a ensinar.

Não percas Ítaca de vista,
pois chegar lá é o teu destino.
Mas não apresses os teus passos;
é melhor que a jornada dure muitos anos
e o teu barco só ancore na ilha
quando já estiveres enriquecido
com o que conheceste no caminho.

Não esperes que Ítaca te dê mais riquezas.
Ítaca já deu uma bela viagem;
sem Ítaca jamais terias partido.
Ela já te deu tudo, e nada mais te pode dar.

Se, no final, achares que Ítaca é pobre,
não penses que ela te enganou.
Porque te tornaste um sábio, viveste uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.

Poema da autoria de Konstantinos Kavafis

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