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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O mundo amanheceu branquinho, branquinho





Neve abundante em Novara e, em boa parte da Itália. Lindo vê-la dançar no ar. Diz a previsão que vai cair por todo o dia de hoje. Nós fomos para a praça nos divertir. Só nós, claro!

Se clicar na imagem, dá para ver a neve caindo.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Pianista

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Felicidade Clandestina

O conto abaixo é da Clarice Lispector. A escritora tinha o Sol e a Lua do dia de hoje, casadinhos no céu. Nasceu sob uma Lua nova em Sagitário e tinha Mercúrio em Escorpião. Clarice lançou as luzes sagitarianas para dentro, de forma exacerbada e intensa. E, assim, nomeou as mais perturbadoras subjetividades.



"Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim um tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte.

Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo.

E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.

Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante."

Clarice Lispector
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Primeira nevicadinha em Novara...

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domingo, 23 de novembro de 2008

Em Novara...

8 da manhã, domingo de sol. Temperatura -3! E nem chegamos no inverno ainda.
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sábado, 22 de novembro de 2008

Iluminação e amor romântico

O Sol chegou no Sagitário e a Lua está em Libra. Resultado: grandes ideais e aspirações mais amor romântico.

A combinação do Baile no Céu me lembrou a célebre ópera de Mozart, A Flauta Mágica. Uma belíssima história de iniciação dos amantes que se põem a caminho, movidos pelo amor.

Fica aí a dica de filme para o final de semana!

Acima, o trailer A Flauta Mágica de Kenneth Branagh.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Is friday, venerdí, dies veneris, ou sexta-feira mesmo



The Cure - Friday I'm in Love

Este vídeo é ainda melhor e mais legal. (Purtroppo não dá para pôr aqui).
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Frente mais fria, ainda, à vista!

O telejornal acabou de anunciar: a temperatura vai descer ainda mais sotto zero. E teremos neve no Alpes e pré-Alpes.

Eu me junto à Giusy e canto: Ma che freddo fa!
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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Estética do frio

Novara

A temperatura caiu aqui no norte. A chuva também continua a cair junto com as últimas folhas de outono. As árvores estão já peladinhas, tadinhas. Aparentemente, mortas de frio! Lembro que quando aqui cheguei, em pleno inverno, me assustei com a falta de verde. Estava acostumada com o Porto - mais - que - Alegre, que é florido, florlindo. Pois aqui, fica assim cinza, branco e frio até abril. Com exceção, é claro, dos dias de sol. Aí o céu traz o azul. Lindo azul. Mas o frio persiste e o verde quase não existe.

As aulas deste trimestre já estão quase no fim e, em dezembro, começam os exames. Mas até chegar o Natal e as férias de final de ano tem muita estrada, ainda. Ou melhor, linhas. Linhas que costuram o passado para tecer o futuro no cerzir do presente que temos nas mãos.

O bom é que antes das provas se estuda em casa, no quentinho. Todos os lugares são quentes, a dire la verità. Algumas vezes se passa até calor. A rua não. A rua é fria. Mas o frio e a rua têm sua estética e algum calor. Casacos, chapéus, luvas , botas, chás, chocolates quentes e cafeterias lotadas. Nariz gelado, abraço quente. A rua é fria sim, mas se está sempre nela, no vai-e-vem dos trens, pés, carros e bicicletas.

Ah, e tem a fumacinha que sai dos prédios e aquela que sai de dentro da gente. Sinal do espírito? E têm os odores mil de pães, castanhas assadas, de lenha queimando e de café. Tem gente que gosta mais do odor do que do café em si. Eu gosto dos dois! As vitrines de pães ficam mais apetitosas, o cheiro de pizza no forno, também. O vinho quanto mais encorpado, melhor. E, habitualmente, se come até sorvete no frio.

As bicicletas circulam com gente de todas as idades, envoltas em grandes casacos e até os cães desfilam seus modelitos de inverno (!!!) O sal grosso nas estações ferroviárias ajuda a compor a estética branca do frio. O sal é para não escorregar com a neve e a umidade. Lenços brancos de papel também fazem parte do cenário. Muitos lenços e assoadas de nariz. Nem tudo é belo, né? Tem a estética do feio, também. Em compensação, quase não se vê gente passando frio e fome pelas ruas.

Os Alpes ficam mais nevados e mais belos. Os dias mais curtos, porque o sol se cansa logo e vai para a cama cedo. As noites, mais longas. E dentro da gente, fogo de lareira é a melhor pedida para aquecer alma e o coração!
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Acústicos & Valvulados - Fim de Tarde com Você

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sábado, 15 de novembro de 2008

melodia di Luna piena

Olha a Lua cheia aí de manhã cedinho.


Ontem à noite ela tava linda também. Redonda e luminosa. E as ruas, cheias de gente. Pudera faz dias que chove por aqui e a neve também já deu o ar da sua graça! Mas ontem o tempo abriu e a Lua mostrou a sua grávida beleza e todos fomos para a rua olhá-la.

La Luna me esta mirando...

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A juba da bailarina

O que é um Sol em Libra com a Lua em Leão?

Viu?

A Diva é a Helo, minha amiga casa cheia, ensolarada. Ela, além de trabalhar em circos, grandes festas e espetáculos, tem sempre muitas histórias para contar, daquelas de fazer todos os músculos do abdômen trabalharem rindo.

E, inacreditavelmente, a moça que está do lado dela aí na foto acima, a Graci, tem o mesmo Sol, Lua e ascendente (!!!)

O ascendente é Capricórnio, para sustentar as divas lá no alto.


A Helo é uma contadora de histórias nata e suas performances são inesquecíveis.



Ela viaja muito, mas não usa mapas, não! Pede informação ao mundo e o mundo responde e a recebe em sua grande casa.

A sua paixão? ouvir o riso das crianças no picadeiro!

Eu, aqui, ando trabalhando meu abdômen com ela por esses dias 8-)))
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ma che freddo fa

Brrrrrr....


Ma la voce di Giusy ci riscalda un po'!

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Paixão

Para aliviar o clima do post anterior, segue essa propaganda que passava na TV daqui, até pouco tempo atrás. 8-))))

Eu conheci este lugar, se chama Canyon Du Verdon e fica sul da França, na região da Provença. Lindo, paradisíaco, afrodísíaco, dionisíaco, natureza exuberante, mesmo.

Não é?


Parlami d'amore Mariù...

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Morra de tesão, mas não de Aids

E o Sol lá no Escorpião...

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La Luna in Ariete dice


Chi dorme non piglia pesci

Corra, Lola, corra!
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domingo, 9 de novembro de 2008

Tamu vivo!


...e seguimos com fé, alma e raça castelhanas!

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Blackout

Hoje é aniver do meu amigo Alê, vocalista da Blackout, banda de covers de Porto Alegre. Ele é de Escorpião, o moço, com ascendente em Gêmeos.

É por isso que ele é tantas coisas, uma multiplicidade de interesses: informata, vocalista, estudante de psicologia, amante de línguas e maridão de uma taurina linda de morrer, a Hericka.

Inteligente e curioso, dá gosto de conversar com ele.

Apesar da diversidade de interesses, ele faz tudo com intensidade e paixão, como convém a um escorpianino que se preze.

Alê, amigo lindo, um buonissimo compleanno! Tantissimi auguri!

Ah, e sucesso sempre para a Blackout que no vídeo acima toca Rolling Stones!

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sábado, 8 de novembro de 2008

Deuses gregos ontem e hoje

Os deuses caminham pelas ruas, ne sono sicura!

Domingo passado topei com Saturno: Rua deserta. Vem na minha direção um senhor todo vestido de marrom com uma foice na mão (!!!) Desconforto. Ele continua vindo. Acho que ele percebe meu incômodo. Cai na risada, enquanto gesticula com a foice. Eu sorrio também.

Ufa! Achei que o Saturno tinha vindo capar meus impulsos de louco, acabar com a minha sana rebeldia. Ele ter-me sorrido me pareceu um bom augúrio. :-)

Agora, veja estes desenhos dos deuses gregos aí abaixo.

Antes
Depois


Adorei! Foram tiradas de um livro de RPG, com o título de Scion: Hero.

Tem mais ó:

Antes
Você saberia dizer quem é quem, antes e depois, e o porquê? Stai attento eles estão embaralhados entre si nas fotos.

Já topou com deuses pela rua? Se identifica com algum deles? Escreva e teste seus conhecimentos aí nos comentários.

Ah, e clique nas imagens de modo a vê-las ampliadas.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Lua está em Peixes mesmo...

Abro minha caixa de e-mails e vejo um e-mail da Helô, minha amiga diva que chega amanhã da Espanha. O título do email é 'recado'. Logo pensei: arrá, finalmente ela vai me dizer que horas chega pra eu poder buscá-la. Que nada! O recado vinha lá do céu. Uma corrente, uma oração.

-Reza e passa para 7 pessoas - dizia.

Eu, que não sou boba nem nada, rezei e passei para 7 pessoas. Tá louco! Dizem que o milagre acontece amanhã. Eu acredito. Milagres acontecem todos os dias e estão por toda a parte, ainda mais sob uma Lua em Peixes.
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...quiçá amores nos corações

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Ensinamento

Il Bacio di Klimt

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.


Adélia Prado

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Descargas elétricas

Tava previsto! Saiu até no jornal de ontem que, hoje, o céu iria descarregar seus raios. Dito e feito! Lá fora, Zeus clareia o céu com seus raios-trovões!

Novara vista aqui de casa.
Cabrummmmm!!!!!!

Lindo, lindo!

E a Lua lá no Aquário!

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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Será a Vênus em Câncer?

Non ti scordar mai di me
(vejam direto no Youtube, pois aqui não é 'available')


Nossa, achei o vídeo e a letra perfeitos para uma Vênus em Câncer. Ela cozinha para o suposto fidanzato (?), prepara todo o ambiente, dando a ele alma e aura de paixão e romântismo.

Fui olhar o mapa dela, o mapa da Giusy Ferreri. A moça venceu recentemente um programa de música e, de caixa de supermercato, passou a cantora de sucesso.



Ariana com Lua em Sagitário. Guerreira ela. Me lembrou um pouco a voz da Amy. Ela tem uma coisa meio Amy que é do Sagitário, ela é grande e precisa de espaço para passar com seu cabelão. E a Vênus? Quase que acertei. Em Peixes. De fato la ragazza se entrega de corpo e alma cuidando de tudo, preparando o encontro ideal e o cara não aparece, purtroppo!

O Câncer tá no Júpiter da Giusy trigonando a Vênus e também o Mercúrio em Peixes. É uma sortuda, questa donna. Vida fértil em todos os sentidos! E tá explicado o ambiente quente e protetor, envolvente que ela interpreta, além da comida. Tem até o barulhinho do cozimento.

E a voz dela? Docemente desafinada, algo difícil de se fazer. Isso sem falar na letra da música. Não entendeu a letra da música? Faça aulas de italiano comigo, oras bolas! :-)

No final, ela se rebela. Enquanto assiste um filme antigo, come a galinha com as mãos e depois sai com uma amiga. Claro, ela é ariana com Lua em Sagitário. É muito espevitada para ficar em casa chorando.

Non ti scorderemo mai, Giusy!

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Relógio do mundo

Sob uma Lua em Capricórnio, signo regido por Saturno, o senhor do tempo do relógio, recebo por e-mail este link abaixo:

Relógio Mundial


Caramba, o que é toda essa contagem de doenças, acidentes, produção, aquecimento da terra, etc, etc, baseadas em estatísticas anteriores?

Isso é Saturno em Virgem, o análitico/estátistico!

Interessante notar a prevalência na contagem de patologias. Deve ser porque em Virgem temos que nos haver com o funcionamento do nosso dia-a-dia e, também, do nosso corpo, da nossa sáude, ou com a falta dela.

Ou a explicação pode ser bem mais prosaica, devido ao fato de que obter informações a respeito de mortes por doenças seja mais fácil, porque mais catalogado e bastante preciso.

E continuamos em Virgem...

Virgem oscila entre a fertilidade e a seca.

Saturno em Virgem está fazendo um balanço da sáude da terra, da doença do mundo.

E Virgem analisa e separa, e com o essencial em mãos nos convida a servir, a não desperdiçar nossa energia e, nem mesmo nossos recursos, os recursos da terra. É tudo a mesma coisa, pois no fundo, no fundo, no frigir dos ovos estamos todos conectados, né não?

Ah, aí avistamos os Peixes...

Post scriptum: diz o Houaiss que 'saúde' vem do latim salus,útis 'salvação', conservação da vida.
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sábado, 1 de novembro de 2008

Riobaldo na voz de Maria Bethânia

Será o Riobaldo, personagem-narrador, ex-jagunço de "Grande Sertão: Veredas" do signo de Escorpião? Creio que sim!

Diz ele:

(...) não sei de nada, mas desconfio de muita coisa!

Quando morre seu padrinho e Riobaldo herda duas grandes fazendas, pergunta desconfiado ao compadre Quelemém:

'Mas , por fim , eu tomei coragem , e tudo perguntei:
-"O senhor acha que a minha alma eu vendi, pactário?! "
Então ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu:
-"Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que
são as quase iguais ..."
(...)

Diz ainda Riobaldo:

1-Viver é muito perigoso

2-Quem desconfia, fica sábio.

3-Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver.

4-Vingar, digo ao senhor: é lamber, frio, o que o outro cozinhou quente demais.

5-Sertão: é dentro da gente.

Desconfiado e inquisidor das coisas do mundo, Riobaldo expõe suas inquietações filosóficas, reflexões sobre a vida, a origem das coisas, de Deus e do diabo. Riobaldo é Escorpião e Sagitário, porque também é jagunço montado no cavalo, com um rifle na mão.

Mas não só por isso, segundo ele:

1- Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.

2- Sertão é do tamanho do mundo

Além disso, o ex-jagunço, através do fio da memória, narra suas experiências a um "senhor" e conclui:

'Cerro. O senhor vê. Contei tudo. Agora estou aqui, quase barranqueiro. (...) Amável senhor me ouviu, minha idéia confirmou: que o Diabo não existe. Pois não? O senhor é um homem soberano , circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se fôr ... Existe é homem humano. Travessia.'


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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O ASSINALADO

Tu és o louco da imortal loucura,
O louco da loucura mais suprema.
A Terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma Desventura extrema
Faz que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
Que povoas o mundo despovoado,
De belezas eternas, pouco a pouco...

Na Natureza prodigiosa e rica
Toda a audácia dos nervos justifica
Os teus espasmos imortais de louco!


Cruz e Sousa


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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O Louco

Você já se sentiu descendo ladeira abaixo sem freio? Já se jogou do décimo andar e saiu voando? Não? Como assim? Sua vida é com ou sem pimenta? É com ou sem emoção? Você tem todas as respostas e já traçou todos os caminhos? Se a resposta para a última pergunta é sim, fica um conselho: mude a rota e deixe-se levar pelo instinto pelo desejo espontâneo, ao menos uma vez na vida, meu caro e minha cara.

Se estiver tudo certinho demais, tudo parado, lembre-se: é hora de iniciar uma nova jornada, mesmo que seja nas pequenas coisas. Lembra dos segmentos de reta das aulas de matemática? Um pequeno desvio já faz toda a diferença, rapaz e rapariga. Faça então como o louco e dê o salto no abismo. Por quê? Por curiosidade, por vontade de viver, por alegria, por paixão, para ser sincero com você mesmo, ou pelo simples prazer em tentar alguma coisa.

Você verá que muita coisa pode acontecer, mudar e, para melhor. Nem sempre a meta traçada, pré concebida é a mais interessante. Se você sentir que está faltando algo, se sentir um irresistível desejo de liberdade, abra-se para o mistério, para o novo e coloque-se no lugar de todas as possibilidades. Faça isso com toda a responsabilidade que lhe restar, já que dar vazão ao louco é confiar somente no instinto. O que não é pouco!

Faça então amizade com o seu instinto e ponha-se a caminho, cara pálida. É bom viver e aprender brincando!
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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Coro do Escravos Hebreus (Va Pensiero), Nabucco,Verdi

A orquestra tocou essa!

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Sant'Ambrogio

Hoje não tive aula de Storia dell'arte e aproveitei a folga pra ir estudar in loco. Fui conhecer a Basílica di Sant'Ambrogio, basílica erguida pelo Santo, Bispo, patrono da cidade de Milão, appunto Ambrósio que viveu no quarto século d.C.

Essa é una delle chiese mais importantes de Milão, ao lado da bellissima Duomo.

Sant'Ambrogio não foi um santo vero e proprio, na verdade ( e quem é que foi?) O seu milagre se resume em ter sido o mais competente bispo que a cidade havia tido até então. Ele amenizou rixas entre as mais diversas facções, contornou dogmatismos e promoveu a cidade de Milão como pólo cultural, já que era uma homem de muita cultura.

Ele foi mesmo uma espécie de prefeito, alguém que soube dinamizar a cidade em termos econômicos e culturais. E esse tipo de procedimento era bastante comum no final do império romano do ocidente, ou seja, um bispo que era, na verdade, um homem secular, alguém que gestia a cidade. Além, é claro, de desenvolver um ruolo religioso.

Eu fui lá, então, conhecer e me ambientar ainda mais com a iconografia cristã.

Sant'Ambrogio é considerado um dos pais da Igreja Católica e, por isso mesmo, é representado em muitas outras Igrejas e pinturas. Foi ele quem batizou Santo Agostinho, para se ter uma idéia.

Uma das maiores atrações da Basílica é o altar de ouro feito em ouro, prata e pedras preciosas. Só neste altar, vêm representadas boa parte das imagens, do que se precisa saber de iconografia cristã.


O engraçado é que eu não pude nem chegar perto do altar, mas não reclamo não. Penso que tive muita sorte, na verdade. Isso porque, chegando lá, tinha nada mais nada menos que uma orquestra montada, ensaiando. E a orquestra deu muitas palhinhas para quem estava lá assistindo. Eu, a dire la verità, adoro visitar igrejas, de um modo geral, e aqui todas elas têm um perfume de incenso de mirra que mi piace molto. Agora, junte tudo isso ao som de uma grande orquestra, numa igreja. Não é sensacional?

Só vou ter que voltar outro dia lá para ver o altar de ouro.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

As cores e os colares do outono






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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Para acompanhar a Lua cheia em Áries no Baile do Céu...

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Dionísio

Dionísio resolveu visitar as donas de casa de Marino.
Milagre? Nã, nã, nã...estamos na Itália, meu bem!

Veja aqui na BBCBrasil

Triunfo de Baco. Charles Auguste Fraikin, Museu das Belas Artes de Bruxelas.
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domingo, 12 de outubro de 2008

Noite estrelada

Vincent Van Gogh

“Quando ouvi o erudito astrônomo,
quando as provas, os números,
despuseram-se em colunas à minha frente,
quando me mostraram os mapas e diagramas,
para somar, dividir e medi-los,
quando, sentado, ouvi o astrônomo
ali onde dava sua aula muito elogiada na sala de palestras,
como foi rápido o inexplicável cansaço que se abateu
até que levantando-me e deslizando para fora
distanciei-me sozinho pela mística umidade do ar noturno e,
de vez em quando, olhava para o alto,
em perfeito silêncio, mirando as estrelas.”

Walt Whitman
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sábado, 11 de outubro de 2008

Como prometido...

Onde está o Waly?



Eu e o Maestro Paolo, meu professor libriano. Ricca creatura che adora stare in mezzo alla gente!



Rússia, Brasil e Ucrânia. Na foto, esses dois parecem meus guarda-costas.



Equador, Brasil, Maestro Franco e Índia.


Maestro Piergiacomo, meu professor "precisino" do ano passado.



O fotógrafo e a ex União Soviética!

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Saturni dies

Sabato, sábado!

Hoje, vou receber meu diploma da "Scuola di Italiano Louis Massignon". Foi uma prova de certificação linguística que fizemos (eu e meus colegas) em julho, no final do ano letivo, através da Universidade de Perugia. Não tem nada a ver com a universidade onde eu estudo. É uma escola aqui de Novara que ensina língua, cultura e história italiana para estrangeiros. As aulas são muito boas e, lá conheci gente de todo o mundo.

Agora, quando penso em Índia, Rússia, Marrocos, Ucraina, Polônia, Albânia, etc, me vêm à mente não um lugar distante e exótico, mas uma pessoa que conheci e que me contou como é a vida por lá. Cada história! Muita gente vêm em busca de uma vida melhor, de um "simples" emprego.

Em Bangladesh, por exemplo, o que acontece é que só uma pessoa da família trabalha e o salário dela serve para sustentar todos os outros. Isso porque lá tem muita gente e pouco emprego. Então, eles vêm trabalhar na agricultura, na construção civil e no comércio, muitos em "nero" e por isso mesmo ganhando muito pouco. As loiras do leste europeu, deixam suas famílias e filhos e vêm cuidar "dei bambini italiani". E assim que podem, voltam e trazem seus entes queridos para morar junto delas. Dureza pouca é bobagem, mas histórias de superação também não faltam, não.

Mas voltando, os professores da escola fazem parte da "Comunità di Sant'Egidio", uma comunidade católica bem forte por aqui. É uma comunidade internacional que tem muitos projetos pelo mundo todo, principalmente no continente africano. O que eu acho legal é que são um grupo de pessoas laicas que não têm o intuito de converter ninguém. Simplesmente se deram conta do quanto são privilegiadas e resolveram fazer uso dos seus privilégios para ajudar quem os têm pouco, ou quem não tem nenhum. Eles criaram aqui "una vera e propria politica di integrazione", algo que o governo italiano está remando para conseguir. Durante as aulas, os passeios, as festas ( ah, eles adoram uma festa) a gente sente na veia a diversidade como uma riqueza e não como algo a se ter "paura'.

De tarde eu vou lá, depois conto como foi e ponho umas fotinhos aqui.

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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Giovedì

Oggi è Giovedì, dia de Giove - Quinta-feira, dia de Júpiter no português. Em Espanhol, Jeuve. Em Frânces, Jeudi.

O Guimarães Rosa chamou Júpiter de Jove:

"Aos quais, sol a sol e val a val, mapeados por modos e caminhos tortuosos, nas principais tinham sido, rol: a do Jove, entre o Ribeirão Maquiné e o Rio das Pedras - fazenda com espaço de casarão e sobrefartura:.."

Expansão, fartura, fé, confiança, graça e benefícios são relacionados a Júpiter.

Agora, veja outras palavras do italiano que participam desse mesmo campo semântico:

Gioia pode ser: jóia, alegria, felicidade, amorzinho, pedra preciosa e gozo.

O verbo giovare que significa obter ajuda ou benefício, obter prazer, facilitar, ser útil.

Fartura? E a crise financeira? pelo menos hoje, a arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê...

Ah, e já ia me esquecendo, eu sabia que o Grêmio iria retomar seu lugar no liderança do campeonato brasileiro. Eu sempre soube! :-)

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ítaca


Amanhã e sexta terei duas aulas sobre a Odisséia. Devo dizer que já perdi as contas de quantas aulas já tive sobre essa célebre obra e quantas vezes já a li e re-li, mas devo dizer também que absolutamente não me canso. Sempre que leio, me surpreendo. Por isso é um clássico, uma grande história que não se esgota e inspirou, inspira e inspirará outros tantos escritores.

No trimestre passado, por exemplo, estudamos um autor italiano, Giovanni Pascoli, que retomando uma passagem da Odisséia e tomando-a como ponto de partida, - a profecia de Tirésias, o cego, no canto XI, quando Ulisse desceu ao Hades - escreveu "L'ultimo viaggio". Nessa obra o Ulisse não é descrito como magnâmico e astuto como o é na concepção grega. Ao contrário, depois de retornar à Ítaca vê toda a sua vida e as experiências e aventuras passadas se dissolverem em um sonho/sono. Bom, mas essa é uma outra história...

Voltando à Odisséia de Homero, uma das coisas que eu mais gosto é que Ulisses não busca o caminho mais fácil e curto para retornar para os braços da sua Penélope. Ao contrário, ele busca aventura por diversas vezes. Mais por mera curiosidade do que pelas recompensas que obteria. E é graças a esse desejo e inquietude que Ulisses pode nos contar as suas peripécias, no seu racconto para o Rei Alcino.

É uma metáfora da nossa própria viagem nessa vida. É como se o livro nos dissesse: Ei, você não pode esquivar-se da sua curiosidade, dos perigos e das aventuras, pois ao fazer isso você estará abdicando da própria vida, do sentido de ter iniciado essa viagem. Pelo menos pra mim, assim soa. E por isso adoro o Ulisses, sua astúcia, inteligência e curiosidade. Pensar que se não fosse por ele, os gregos não teriam vencido a Guerra de Tróia!

No entanto, geralmente o que pensamos já foi pensado por alguém antes e, a prova disso, é que quando me aventurei para fora do ninho familiar, pela primeira vez, recebi de uma amiga, ( a quem agradeço imensamente: obrigada Carol!), este texto abaixo inspirado na Odisséia:

ÍTACA

Quando partires em direção a Ítaca,
que a tua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não temas Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon
não irás encontrá-los no caminho, se o pensamento estiver elevado,
se a emoção jamais abandonar o teu corpo e o teu espírito.
Laestrigones e Ciclopes e o furioso Poseidon
não estarão no teu caminho
se não os levares na tua alma,
se a tua alma não os colocar diante dos teus passos.

Espero que a tua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de Verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
recolhe o que há de melhor.
Vai às cidades do Egipto,
aprende com o povo que tem tanto a ensinar.

Não percas Ítaca de vista,
pois chegar lá é o teu destino.
Mas não apresses os teus passos;
é melhor que a jornada dure muitos anos
e o teu barco só ancore na ilha
quando já estiveres enriquecido
com o que conheceste no caminho.

Não esperes que Ítaca te dê mais riquezas.
Ítaca já deu uma bela viagem;
sem Ítaca jamais terias partido.
Ela já te deu tudo, e nada mais te pode dar.

Se, no final, achares que Ítaca é pobre,
não penses que ela te enganou.
Porque te tornaste um sábio, viveste uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.

Poema da autoria de Konstantinos Kavafis
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domingo, 5 de outubro de 2008

Valentina, la forma del tempo

Fomos visitar uma das muitas mostras da Triennale di Milano: Valentina, la forma del tempo. Uma homenagem a um dos mais famosos cartunistas italianos, Guido Crepax, falecido em 2003.

Na mostra, vemos Valentina Rosselli, sua personagem mais famosa: uma bellissima e sensual fotógrafa milanese, inspirada na atriz do cinema mudo Louise Brooks. Valentina é uma personagem que conquistou as décadas de 60, 70, 80 e 90. Mulher independente, casada e com filho e, ao mesmo tempo, portadora de uma série de fantasias eróticas, muitas delas de submissão.

Valentina embarca nas mais variadas viagens oníricas, ricas de simbologia surrealista, instrospecção psicológica que deságuam sempre num mundo de Eros. A personagem apareceu pela primeira vez em 1965, na Revista Linus. A princípio era destinada a um papel secundário, mas o público a amou desde sempre. Ela tem inclusive uma carteira de identidade. Valentina, segundo seu criador, nasceu no dia 25 de dezembro de 1942, em Milão.

Fiz o mapa do dia do "nascimento"de Valentina e eis que a bela tem Sol, Vênus e Mercurio em Capricórnio. Capricórnio é o signo regido por Saturno, o deus do tempo do relógio, que marca com a sua batida o passar dos anos. Tá explicado, então, pois Valentina vai envelhecendo ao longo do tempo nas suas histórias. Além do que, a moça tem uma carreira: é fotógrafa. É uma mulher séria, portanto. Capricórnio rege a casa 10, a casa da carreira e da vocação.

De fato, Valentina surge numa época em que as mulheres estavam justamente lutando por um lugar ao sol. A personagem trabalha e tem ainda uma família. Ela tem Júpiter em Câncer e deve conciliar suas obrigações de fotógrafa, sua carreira, com o papel de mãe. A lhe acordar ( e a nos acordar) de seus sonhos e fantasias, em muitas histórias, é o choro do filho Mathias.

É interessante também o fato de que o nome da mostra faça menção ao tempo, tema indiscusso de Capricórnio.

Mas o appariscente mundo subterrâneo da bela, se explica mesmo, ao meu ver, porque ela tem a Lua no criativo e caloroso signo de Leão e, possivelmente, essa Lua está conjunta a Plutão ( não tenho o horário de nascimento). Acredito na conjunção, pois ela explicaria a densidade emocional de Valentina. Através dos quadrinhos, da arte de Crepax, entramos em contato com os problemas reais da personagem: a anorexia, os pesadelos e delírios, os sonhos e alucinações. Tudo isso, num corpo de felina que se mostra sem muitos tabus e com muita arte e luxo, claro.

A mostra é linda. Tem as histórias de Valentina ocupando gigantescas paredes, se vê as inúmeras influências artísticas de Crepax e ainda se faz o percurso ao som de Chet Backer: My funny Valentine.

Outra coisa bem legal da obra de Crepax é reconhecer Milão, suas ruas, paradas de metrô, cenários e praças.

Quem quiser dar uma espiadinha no universo de Valentina, clique aqui.

Fotos? só da entrada da exposição, purtroppo:


Non ho altro da dire!

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sábado, 4 de outubro de 2008

Hino do Grêmio Gauchesco

E dê-lhe gaita, gaiteiro!

COM O GRÊMIO ONDE O GRÊMIO ESTIVER!

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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Here comes the sky

Parco dei bambini. Novara, Itália.

Já fazia alguns bons dias que o céu não aparecia por aqui. Tempo carregado, denso de nuvens, dias escuros, folhas caindo por toda a parte, névoa e muita umidade. Dias assim têm sua beleza, claro! Mas quando é demais começa a dar um desespero no vivente. Bom mesmo é quando o tempo muda!

E hoje mudou, improvisamente! Num giro de 2 horas. Foi o tempo d'eu assistir minha primeira aula de Civiltà letteraria greca. Quando saí da aula havia caído um toró, o vento havia levado embora todas as nuvens e o céu e o sol finalmente haviam dado o ar de suas graças. Será que foi porque a Lua saiu do Escorpião e foi para Sagitário? Sagitário é regido por Júpiter, o senhor do Olimpo, que tem visão além do alcance. Só pode ter sido ele, cansado também do tempo meleca, a soprar o mau tempo para outra freguesia.

Eu que não sou boba nem nada, ao invés de ir pra casa, cavalguei na minha bicicleta e fui pro parque tirar fotos do belo dia de outono.

Olha meu cavalo aí:

E eu bem felizinha!

Zeus gosta de uma chuva e de muitos raios, claro. Mas, hoje, ele tá sorrindo com o céu sereno.

Lá no fundo é o Monte Olimpo. Viu?
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